Breves notas não é fácil

Escrever nunca é uma tarefa simples, nem fácil.

Escrever nunca foi um trabalho fácil, e você devia desconfiar de quem diz o contrário. Encadear idéias de uma forma inteligível e correta (ao menos tentar fazer o melhor possível) nunca é simples. Fácil mesmo é enganar os outros. Qualquer um pode fazer, desde que tenha a constituição necessária para não ter caráter.

E todos sabemos que brasileiros em geral adoram uma falta de caráter - ainda mais se ela ganha muito dinheiro.

Deglutir esse mecanismo (enganar vs escrever) revira o estômago. E ter sucesso na empreitada também tem suas mazelas. Vários escritores pararam de escrever de forma precoce. Isso é mais comum do que você imagina.

Tanto o ato da escrita quanto os leitores podem acabar com escritores. Casos como da escritora Harper Lee e do J.D. Salinger são famosos. Mas muitos outros apenas desistem e pronto. Com certeza textos maravilhosos acabaram na lata do lixo - talvez até a resposta do significado da vida, do universo e tudo mais.

Poucos pais querem que seus filhos se tornem escritores. Quando era adolescente, ao elogiar meus escritos, as pessoas diziam para seguir carreira na publicidade, no jornalismo ou na universidade, ou seja, as pessoas indicam para o aspirante a autor que os melhores lugares para seu futuro são aqueles especializados em torturar e quebrar o espírito de qualquer artista.

Não é a toa que editoras seguem para extinção, já que conseguiram misturar marketing com academia e resultado está aí, mortas. E não culpem os e-books, pessoas compram ainda menos livros eletrônicos do que compram livros impressos.

Os jornais seguem o mesmo caminho. A qualidade dos editores se deteriorou a tal ponto que é impossível achar boa escrita nos jornais, impressos ou eletrônicos. Eu sei que é preciso ganhar dinheiro para os jornais existirem, mas a equipe de marketing já provou que o modelo atual é falho e que eles não possuem imaginação para criar algo melhor.

E as fórmulas mágicas de storytelling e marketing de engajamento apenas colocam os últimos pregos no caixão. Isso quando o politicamente correto (wokismo) não tentam enterrar vivos os últimos bons escritores que insistem em martelar o teclado.

Escrever não é fácil, mas é necessário. Ainda mais agora, quando ainda querem transformar o ato de escrever em tormento. “Posso ou não escrever isso? Posso ou não pensar sobre isso? Posso ou não publicar isso aqui?”

Desistir é sempre uma opção - ainda bem que é a última.

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