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Eu não escrevo mais para os imbecis

Eu tentei ser uma pessoa normal nos últimos anos, cujo comportamento é considerado aceitável e comum. Falhei miseravelmente nessa tarefa.

Eu escrevo para imbecis. Não sei como e nem quando comecei a escrever para imbecis. Em algum momento nos últimos anos minha musa transformou-se em um ser de inteligência curta e com pouco juízo. Uma idiota, uma tola. Eu escrevia para pessoas inteligentes. Como permiti isso?

Comecei a sentir urgência em explicar as mínimas coisas nos meus textos, apavorado que os imbecis decidam lê-los e, depois, me coloquem no meio de problemas que não pedi. Um imbecil talvez não saiba que é uma musa (qualquer ser ou entidade, dotado de características divinas, que inspira as artes) ou um imbecil (lat. imbecíllis, ‘fraco, sem força, sem inteligência’). Se não fosse por Steve Jobs, provavelmente nenhum deles teria descoberto a internet e o Facebook.

Seja como for, todo escritor que se preocupa com a capacidade de interpretação do leitor (ou a falta de capacidade, nesse caso) está construindo sua própria estrada para o inferno - ou criando um texto pós-modernista. É impossível escrever definindo todo e qualquer termo, todo e qualquer contexto, toda e qualquer figura de linguagem. Pessoas que fazem isso são conhecidos como acadêmicos, eles não são famosos por criar qualquer coisa legal.

Os acadêmicos, às vezes, descobrem algo importante e um escritor transforma em algo interessante.

Eu tentei ser uma pessoa normal nos últimos anos, cujo comportamento é considerado aceitável e comum. Falhei miseravelmente nessa tarefa. Eu admito não ser especial, e muito menos “aceitável”. Porém, cheguei ao meu limite intelectual (que já não é tão grande ou sofisticado). É impossível escrever para imbecis sem ser um deles. Você não deveria nem tentar.

Eu sei que os imbecis comandam o mundo hoje. A lei da sobrevivência me impele a cortejá-los em troca das migalhas. Não se envergonhe se você é (ou conhece alguém que) faz isso muito bem. Porém, algumas pessoas simplesmente não conseguem. Pessoas como eu e, quem sabe, o seu vizinho.

No fim das contas isso não faz a menor diferença nas nossas vidas. Cada um segue com a sua. Nenhum de nós mudará o mundo. Isso é uma tarefa para meteoros.

Eu não sou mais “aceitável” só por ser bem educado e inteligente. As pessoas só entram no mainstream se ricos. Para ser famoso ninguém nunca precisou de conhecimento. Hoje nem de beleza precisa. Porém, para escrever para imbecis é obrigatório nascer com talento.

Embora eu não tenha nenhuma dessas qualidades, ao menos sou capaz de escolher minha musa. Ninguém nesse mundo está no nível de beleza e inteligência dela. Ela é minha, só minha, toda minha. Ela prontamente me perdoou por esquecê-la.

Existe apenas um probleminha: minha musa é muito vingativa. Esse é o tipo de problema que eu nasci para me meter. Não vejo a hora de tudo dar errado de novo, mas dessa vez do jeito certo.

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