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A história do BlackBerry até sua morte

Os jovens hoje acreditam que estão no pináculo da produtividade humana, mas nenhum deles usou um BlackBerry na vida!

E foi com muito pesar que recebi a notícia da morte do BlackBerry. Alguém acha estranho que meu BlackBerry foi mais impactante na minha vida do que muitas pessoas? Os jovens hoje acreditam que estão no pináculo da produtividade humana. Como eles estão errados e não sabem do que falam: nenhum deles usou um BlackBerry na vida!

A partir da virada do século a tecnologia transformou a vida de muita gente. Esqueça seu iPhone, sem um BlackBerry você ainda estaria alugando vídeos na locadora do seu bairro. Sem um BlackBerry não existiria seu Macintosh. Sem BlackBerry você não teria vacinas contra a Covid. Sem um BlackBerry, querido amigo cientista de dados, você nem teria uma carreira.

E digo mais, o mundo do BlackBerry, além de mais produtivo, era bem mais civilizado. Precisamos entender como um teclado físico revolucionou a comunicação corporativa e transformou as relações de trabalho.

Meu BlackBerry plugado na tomada depois de décadas, funcinou imediatamente

O BlackBerry tornou o iPhone obsoleto antes dele nascer

A Research in Motion (RIM) lançou o primeiro BlackBerry em 1999, o BlackBerry 850. Com uma resolução de tela de 132 x 65 pixels, um teclado de polegar e um botão giratório para rolagem, revolucionou a comunicação.

Em tempo real você podia se gabar do grande contrato que acabara de fecha - ou receber aquele belo e merecido esporro do seu chefe. E quando a RIM lançou o BBM (o serviço de mensagens instantâneas) a maldição da confirmação de leitura tomou conta do mundo inteiro.

E por isso que meu ex-chefe sentiu-se no direito de ficar muito brabo comigo porque li sua mensagem e não respondi -afinal, estar dirigindo em uma estrada de mão dupla durante uma greve de caminhoneiros não é desculpa para eu não avisar (de novo) que os documentos que ele tanto queria para a reunião com a diretoria já estavam no seu e-mail conforme eu tinha avisado pessoalmente um dia antes de eu viajar.

Meu ex-chefe é usuário de iPhone, caso você esteja curioso.

BlackBerry-850

Um mundo de celebridades e novidades

“Mas no WhatsApp eu posso mandar áudios, Lefebvre…” insiste em dizer o exemplar empregado da firma. Grande coisa, o BlackBerry Nextel já tinha resolvido essa questão antes de você entender que era um problema.

Além de não ter a desculpa de não ter visto a mensagem, nem podíamos pensar em ignorar os bips do Nextel… a não ser que você estivesse no banho - os aparelhos não eram a prova d’água.

Portanto, as novidades dos smartphones eram o lugar comum de quem possuía um BlackBerry. Por causa disso o Facebook (leia-se também WhatsApp) precisou entrar em um acordo extra-judicial por infringir as patentes da BlackBerry em mensagens instantâneas em aparelhos móveis.

Em 2008 Barack Obama causou alvoroço a não se separar nunca do seu BlackBerry, o primeiro presidente americano high-tech. O Serviço Secreto ficou irritadíssimo com a insistência dele em usar o aparelho porque era uma grave falha de segurança. Ainda assim ele manteve o aparelho como seu fiel escudeiro até o fim da presidência.

Com um BlackBerry você poderia trocar mensagens instantâneas, entrar na internet, tirar fotos, tocar música, editar documentos e uma infinidade de coisas.

O teclado mecânico também era muito mais funcional do que a tela do smartphone (desde que você soubesse escrever e não dependesse de autocorreção). Eu respondia e-mails muito mais rápido no meu antigo BlackBerry do que no meu antigo iPhone 4.

Meu BlackBerry e seu fiel estagiário, o iPhone 4

Um mundo que não volta mais

Meu BlackBerry sempre foi compreensivo com seu fiel estagiário, o iPhone 4, já que esse último era o responsável por “tocar mp3”. Décadas se passaram e ainda me pergunto: quando o BlackBerry voltará a ser moda?

No seu auge, em 2012, o BlackBerry tinha 80 milhões de usuários no mundo. Desde o lançamento do iPhone, a base de usuários dala de cresceu dez vezes. Steve Jobs acabara de falecer e lançavam o iPhone 5. Ninguém estava preocupado, mas as coisas mudaram a partir do iPhone 6.

Hoje o BlackBerry está morto. Mas o mundo é estranho.

Meu BlackBerry prova que os produtos de antigamente eram mais confiáveis, mais fortes, com construções melhores e pensados no usuário, não em obsolescência. Tanto que ele resistiu melhor ao tempo do que meus iPhones.

O antigo teclado mecânico da IBM é melhor do que o do seu Macbook Pro. Discos de vinil entregam uma música de melhor qualidade. Ter um Tesla é o máximo até você quebrar no meio da estrada. Tudo está muito estranho.

Talvez o caminho da usabilidade nos faça voltar às respostas que implementamos no passado. Portanto, eu não me espantaria com um retorno do BlackBerry, ainda que eu não saiba de que forma ele reapareceria - e provavelmente não será nas mãos das empresas de hoje.

Os jovens de hoje já se esqueceram do BlackBerry. Porém, alguém vai relembrar as glórias passadas e nos surpreender com uma invenção revolucionária totalmente baseada em uma tecnologia antiga, ultrapassada, mas ainda assim, muito funcional. Só não recomendo esperar de pé.

No duro.

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