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Por que J. R. R. Tolkien tem que morrer

O fato de Tolkien ter entrado nessas polêmicas criadas pelo wokismo evidencia o quão baixo chegamos no debate cultural.

A produção da Amazon “Os anéis do poder” desencadeou a mais nova polêmica cultural. De um lado temos um doutor em linguística, professor, filósofo, que durante mais de uma década inventou, estruturou, detalhou e escreveu uma história mitológica da cultura anglo-saxã lida no mundo inteiro desde o final da década de cinquenta. Junto com ele uma obra lida e estudada nos últimos 70 anos.

Já do outro lado, dois moleques de Hollywood que “adaptaram” os apêndices desse livro (e apenas os apêndices, sem poder citar nada além disso) e seus extremistas seguidores que acreditam serem os depositários da esperança de um novo mundo melhor, mais digno e justo.

E as pessoas acham que pode existir algum debate nessa história.

O fato de Tolkien ter entrado nessas polêmicas criadas pelo woke (que nada mais é do que um pós-modernismo iletrado) evidencia o quão baixo chegamos no debate cultural. A alienação geral alimentada pela revolução da internet mostra agora seus resultados: sem competência para criar algo, os justiceiros sociais buscam em propriedades intelectuais já estabelecidas o marketing necessário para ganhar dinheiro e, assim, influência. Nada além disso.

Toda confusão se resume a um único trailer. Em apenas um minuto Rings of Power conseguiu irritar os fãs de Tolkien ao ignorar (de propósito) os livros, o enredo, os personagens e o mundo de fantasia, suas regras, mitologia e filosofia. Parece muita coisa para estragar. E é. É preciso um esforço homérico para conseguir cometer um deslize desses.

Trailer Os Anéis do Poder - eles são pagos para fazer besteiras

O importante não é a incompetência dos produtores, escritores, roteiristas, diretores e atores da série. Adaptações desastrosas e péssimos filmes são fenômenos normais. O campo de batalha está na discussão, na repercussão, na liberdade ou não que temos (ou não) de gostar de acordo com nossas opiniões.

Os wokintas acreditam que opiniões são certas ou erradas e, assim, ou você tem a opinião certa, ou para opiniões erradas serem resolvidas, precisamos de ações enérgicas (sim, eles pensam dessa forma complexa e vazia). Veja só, a Revolução Francesa também lutou por liberdade, justiça e fraternidade. Terminou é usando a guilhotina para trazer seu sonho ao mundo. O Comitê de Salvação Pública julgou de forma sumaria e cortou a cabeça de quem quis. O imperativo da cultura woke é silenciar o outro lado - e de qualquer forma possível.

Nenhum deles quer mudar o mundo. Para criar e construir qualquer coisa valiosa é preciso preparação e dedicação. Quem perde tempo com isso hoje? Será que os justiceiros da igualdade e da tolerância são capazes de compreender na totalidade a dialética histórica das forças de poder e seu relacionamento com o mundo real? Credo, será que eles conseguem ao menos se locomover sem o Uber? Ou pedir comida sem o iFood?

Uma dica: não, eles não conseguem.

Na realidade, todos eles são uns incompetentes. O poder da internet conseguiu unir várias tribos, mas com os incompetentes o efeito foi diferente. Eles todos são um tanto escandalosos, alguns até conseguiram terminar uma faculdade (o que não é nada especial) e são capazes de azucrinar tudo mundo. São como aquela criança mal-educada fazendo birra no supermercado, aeroporto ou consultório: irritam todo mundo em volta.

Eu sei que nem toda criança com birra é mal-educada, mas exceções apenas confirmam a regra. A solução para isso, ignorar. Quando você ignora a birra, a maioria das crianças tende a se acalmar. Entretanto, os wokistas pertencem ao outro conjunto: quando a birra não funciona, partem para violência.

Ninguém vai mudar o que já está filmado e pronto na série Rings of Power. Provavelmente será uma porcaria. E tudo bem detestar a série e falar mal dela. Mas quando alguém reclamar, te acusar de ser preconceituoso, de torcer pela destruição do mundo, faça a si mesmo um favor: mande essas pessoas se catarem!

O que você precisa entender é que a cultura Woke não é composta de crianças, e sim de marmanjos e marmanjas bem grandinhos para responder pelas besteiras que acreditam. Eles não são crianças. Eles não são vulneráveis. Eles são apenas incompetentes para viver e pensar. Mas isso não é problema meu. Também isso não quer dizer que precisemos de violência ou agressividade.

Toda reação deve ser proporcional e elegante, não se esqueçam. Precisamos de requintes nas escolhas das palavras. A correção e fineza nas atitudes. O mal não é capaz de criar algo novo, só pode distorcer e destruir o que foi inventado ou feito pelas forças do bem.

Já passou da hora dos adultos assumirem o campo cultural e mandar as crianças de volta para a escola.

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