Quando ter um blog era diversão

Não existem mais blogs, apenas sites de venda escrito pelas pessoas mais incompetentes da internet.

Quando o blog surgiu era uma diversão. Basicamente, ninguém usava a internet. Então cada leitor era valioso. Todo blog começava pequeno, com apenas seus amigos se importanto em abrir o navegador, digitar seu endereço e ler qualquer bobagem que você postava todos os dias. É como ter o poder de ler pensamentos. Por isso blogs eram tão legais.

Imagina seu escritor, autor ou amigo favorito e você com o poder de ler os pensamentos deles… isso era blogar. Escrever de forma livre nada mais é do que organizar pensamentos. E ler pensamentos é como montar quebra-cabeças. Quem não gosta de entender como as coisas funcionam?

Portanto, um texto isolado em um blog não fazia qualquer sentido. A não ser que fosse alguma espécie de manual de instruções, um passo-a-passo para ajudar os leitores, uma análise crítica de uma obra, livro ou filme. Textos isolados raramente eram o foco de blogs. Eram uteis e legais, mas raramente a razão da sua existência.

De certa forma, blogar era como ser Keruak ao escrever On The Road. Ninguém editava o texto, ninguém dava atenção a copywriting e nem em rankeamento no Google. Era apenas um exercício de habilidade intelectual misturado com o ordinário da sua rotina pessoal. Se dessa nulidade saísse bom materia, melhor ainda.

Portanto, foi uma pena quando publicitários e vendedores resolveram usar blogs como ferramenta de propaganda. Pior ainda quando o Google resolveu jogar junto e ajudar a espalhar essa pandêmia de mediocridade. Começou com o marketing de guerrilha para viralizar conteúdo até chegar nos dias atuais, onde existem social media manangers que não sabem nem onde ficam os próprios umbigos.

Até mesmo viralizou virou produto a venda. Essa gente que nada entende de propaganda criou pods - o que na minha época chamava-se “panelinha” - para criar falso engajamento e alcance em textos e pessoas totalmente boçais. Há aplicativos e ferramentas para automatizar todo o processo, já que é preciso criar muito conteúdo apra ver qual deles cola na platéia.

Tudo na internet agora está a venda. Até mesmo os leiores (eles só não recebem nada por isso).

Além de tudo, pensar é atividade perigosa. Blogar sem adicional de periculosidade é quase suicídio. Lembra que um texto de um blog só faz sentido dentro da totalidade dele? Pois bem, o mundo hoje não entende mais o conceito de contexto.

Pensar é perigoso.

Então, escrer um texto assim, em uma sentada, sem editar ou reescrever nenhuma das frases, publicar num site que será indexado pelo Google e preservado para toda a eternidade (ao menos da civilização atual), fazer isso não faz sentido algum. Não importa que nem 1% dos blogueiros de hoje tenha capacidade para isso. Ninguém valoriza esse tipo de atividade.

É por isso que vídeo e o Youtube dispararam em popularidade. Escrever de forma clara e coerente é para poucos. Ler tal tipo de conteúdo, também. É bem mais fácil gravar um vídeo explicando como se usa um video-cassete do que escrever um manual. Aliás, esse sempre foi o absurdo do VHS.

Era mais fácil aprender a programar um video-cassete com a fita de instrução do que com o manual do aparelho.

Assim colocamos chimpanzés no espaço. Mas precisamos de algo a mais para pousarmos (de novo) na Lua.

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